Covid-19: No primeiro dia de volta às aulas, Fernanda Melchionna visita escola da Vila Tronco

Forçadas pelo atual prefeito a voltar às aulas presenciais, escolas municipais resistem em cumprir a determinação por falta de estrutura sanitária

5 out 2020, 15:02
Covid-19: No primeiro dia de volta às aulas, Fernanda Melchionna visita escola da Vila Tronco

A segunda-feira (05/10) iniciou com escolas da rede municipal de Educação em um impasse. Forçadas pelo atual prefeito Nelson Marchezan Júnior a retomar as aulas presenciais em meio à pandemia, as instituições resistem em cumprir a determinação da prefeitura por não possuir estrutura física para aplicar os protocolos sanitários necessários de prevenção ao COVID-19. 

A candidata a prefeita de Porto Alegre, Fernanda Melchionna, e o vice, Márcio Chagas, visitaram a Instituição de Educação Infantil conveniada à Associação dos Moradores e Amigos da Vila Tronco Neves e Arredores (AMAVTRON), onde apenas um aluno compareceu. A creche recebeu um protocolo sanitário por escrito, no entanto, nenhum equipamento de segurança, como álcool gel ou máscaras, ou agentes de saúde foram deslocados à instituição para organizar o retorno com segurança. 

“Nós estamos muito preocupados com a política irresponsável do Marchezan de volta às aulas sem segurança. Um prefeito ou uma prefeita que se preze tem que conhecer a comunidade. Nós estivemos na Vila Tronco e visitamos a creche conveniada da Amavtron e constatamos que é um risco muito grande para as crianças, educadoras e educadores. A Vila Tronco é o quinto maior foco de infecção de COVID-19 em Porto Alegre e a volta às aulas, desse jeito, pode sim ser um novo fator de infecção”, afirma a candidata.

A proposta de Fernanda Melchionna e Márcio Chagas é de retorno às aulas em 2021, com equipamentos de segurança e acompanhamento de agentes de saúde, além de escola integral e contraturno para recuperar o ano letivo. Também é prevista, no programa de governo, a reestruturação da Rede Municipal de Educação em diálogo com a comunidade escolar, assim como a nomeação de um secretário ou secretária técnico que conheça a Rede, ou que seja oriundo de escola pública.

Também são propostas para a Educação:

– Integrar as escolas com outras secretarias de governo estratégicas, como a Secretaria de Saúde (SMS), a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) e a Governança Local, ampliando assim o acesso à cidadania das comunidades;

– Ação de combate à evasão escolar. A manutenção das crianças e adolescentes nas escolas é fundamental na garantia das políticas para a juventude, de apoio às mães e de respeito aos direitos da infância;

– Interligar as ações da SMED com a Guarda Municipal para a prevenção a violência nas escolas, desenvolvendo projetos preventivos através da cultura, esporte e lazer junto às comunidades escolares. Ampliar o patrulhamento da Guarda Municipal nos arredores das escolas;

– Realizar políticas integradas entre as áreas da educação, cultura e do esporte para que as praças e parques da nossa cidade tenham atividades para as crianças e adolescentes;

– Construção de alternativas PÚBLICAS para as modalidades de ensino remoto;

– Defesa do acesso universal à internet. A garantia de acesso aos recursos tecnológicos e digitais não pode ser uma opção, mas sim um dever do poder público; 

– Inclusão de produtos orgânicos e de base agroecológica na merenda escolar para garantir uma alimentação saudável para as crianças e adolescentes que estudam na rede municipal de ensino;

– Renovação física das estruturas escolares, como responsabilidade da Smed, contemplando a ampliação de espaços, bibliotecas, laboratórios, quadras esportivas, etc;

– As bibliotecas escolares devem ser parte essencial do processo de ensino e aprendizagem: para isso precisam estar equipadas por com computadores, anualmente contar com renovação de acervos, ter bibliotecários e mediadores da leitura para incentivar o gosto pela leitura e retomar projetos importantes como o Adote Um Escritor;

– Equipes volantes para Mediação de Conflitos e auxílio aos trabalhadores em educação e estudantes. Essas equipes devem ter, no mínimo, psicólogos e assistentes sociais para atuar na rede. 

Foto: Guilherme Santos / PSOL